Após passar uma adolescência dividido entre uma carreira tradicional e a paixão pela cozinha, Caio Correa, por incentivo de seu pai, formou-se em gastronomia pela FMU e especializou-se na Ealing Hammersmith and West London College.

De volta ao Brasil construiu sua marca, a CFC Caio Corrêa Pâtissier seguindo as influências francesas pelos estágio que realizou no Brasil, com o confeiteiro Fabrice Lenud, na França, na Ecole Gastronomique Bellouet Conseil e em Londres, na aclamada Ladurée.

Caio domina as técnicas precisamente e trabalha com fluidez. Ve-lo na cozinha é como ver um regente reger seus músicos, mas no caso de Caio, os músicos são seus doces. 

Hoje Caio ministra aulas e busca fortalecer sua marca através da construção de sabores e experiências com o melhor da confeitaria.

Caio, como você resolveu se enveredar pelo mundo da confeitaria?

Sempre fui apaixonado por doces e chocolates desde criança, sendo filho de cozinheiro sempre estive no meio da cozinha. Com duas avós que cozinhavam maravilhosamente e confeiteiras de mão cheia – como se dizia – eu sempre estive no meio das panelas. Com isso nutri meu interesse pela gastronomia de um modo geral e com o passar do tempo fui vendo que essa grande paixão por doces e chocolates poderia ser o meu futuro.

E quais os caminhos você traçou para tornar essa paixão realidade? 

Quando tinha 16 anos pensava em ser engenheiro mecânico, mas nunca perdi meu entusiasmo pela cozinha. Um dia tive uma conversa com o meu pai e ele me sugeriu um curso rápido de 5 dias no Senac (acho que ele já estava de olho em um sucessor…). Após esse curso fizemos juntos outro curso de sorvete no SENAI, e com essas experiências o meu interesse em me tornar um confeiteiro foi ficando cada vez mais forte. Em seguida fiz vários cursos de confeitaria e panificação até me formar no ensino médio e poder fazer a faculdade de gastronomia.

Ainda na faculdade, no ultimo semestre, eu fiz um estágio na confeitaria Pain et Chocolat em Moema, essa foi a minha primeira experiência profissional. Quando me formei fui trabalhar na Pâtisserie Douce France, onde fiquei um ano e meio com o chef Fabrice le Nud.

Após essa experiência resolvi mudar um pouco e trabalhar somente com chocolate, que é outra paixão. Trabalhei um ano e meio com um dos produtos e temas que mais me encantam na confeitaria, na fabrica de chocolates Di Siena.

Sempre tive muita vontade do morar fora e conhecer Paris, as grandes confeitarias do mundo… Foi quando em 2009 decidi que iria morar em outro país, não somente pela carreira mas também para conhecer outros lugares, pessoas e culturas. Fui morar em Londres, na Inglaterra – um local pelo qual sempre tive interesse. Tinha em mente que poderia trabalhar enquanto estivesse morando lá e fiz varias pesquisas para descobrir quais as melhores confeitarias de Londres. Descobri com essa pesquisa que a Ladurée tinha uma franquia na cidade. Logo que cheguei fui conhecer e já fazer contatos. Depois de um tempo tive a oportunidade de visitar a produção e o chef, que me indicou uma pós-graduação em confeitaria e uma vaga de emprego.

E depois de toda essa experiência você decidiu abrir sua própria confeitaria. Por quê?

Com o conhecimento que adquiri na minha trajetória e com a família empreendedora, não tive duvidas quanto a iniciar a minha marca no meu retorno ao Brasil em 2012. Quando recebi a noticia que teria que voltar para o Brasil, já iniciei em minha cabeça todos os detalhes para a minha marca CFC Caio Corrêa Pâtissier.

Quais foram as maiores alegrias – e também as maiores dificuldades que você encontrou comandando uma loja própria?

Hoje não tenho mais a minha loja própria, porem com absoluta certeza a maior alegria que tenho é em ver o meu trabalho sendo valorizado por meus cliente e alunos e também ser considerado uma referencia no meio gastronômico.

As dificuldades fazem parte do dia a dia de qualquer empreendedor. O cenário atual do nosso país é muito desafiador e diria que hoje, sem o reconhecimento de qualidade dos meus clientes e alunos, seria muito difícil de empreender.

Você acha possível que o confeiteiro no Brasil consiga “educar” o paladar do público a sabores mais complexos, ou não tão usuais – fugindo um pouco das misturas comuns como nutella e leite em pó?

Sim. Vejo que a cada dia que passa a gastronomia no Brasil vem se modificando e as pessoas estão se reeducando. É um processo lento, porem constante. Uma das minha sobremesas mais vendidas é o Le Printemps, um doce com aroma de rosas, isso diz muito para mim em relação aos sabores mais complexos.

E em relação ao açúcar? Você acha que o brasileiro já pede por sobremesas mais equilibradas em açúcar ou ainda é um gosto nacional?

Com certeza é um gosto nacional, esta na nossa raiz. Mas eu já vejo muita gente mudando esse habito e começo a ver cada vez mais o pedido por doces menos doces.

Qual a sua relação com o açúcar?

Ótima! Temos um relacionamento equilibrado, sem excessos e exageros.

E sobre a confeitaria brasileira? O que você pensa da confeitaria no Brasil e para onde acha que estamos caminhando?

A confeitaria no Brasil vem ganhando mais identidade com o passar do tempo. Hoje temos o conhecimento de ingredientes que são nossos. Temos também cada vez mais profissionais capacitados no mercado, interessados pelo conhecimento. Isso tudo é muito importante e nos ajuda muito a desenvolver um trabalho cada vez melhor, mas ainda temos um caminho longo a percorrer. Com certeza estamos caminhando para uma confeitaria cada vez mais autentica e com mais qualidade.

O que o inspira a criar?

Para mim a inspiração não vem de um só lugar: novos produtos, ingredientes e sabores sempre são interessantes. A sazonalidade também. Novas técnicas, novos conhecimentos e viagens sempre são ótimas inspirações.

De todos os doces que criou até hoje – qual seu preferido e por que?

O Amazone, elaborado com dois tipos de chocolate – ao leite e 54,5%, aromatizado com cumaru e com uma textura crocante de Castanha do Pará. Esse doce foi desenvolvido para o Chocolate Week da Callebaut e foi um sucesso, entrou para a linha imediatamente! Particularmente gosto muito da mistura dos sabores dos chocolate com o cumaru, um doce com dulçor na medida e estética sofisticada.

Sobre o chocolate – o que você pensa do chocolate nacional e da relação com os chocolates importados?

Todo o conceito de confeitaria no Brasil esta melhorando a cada dia que passa, com o chocolate brasileiro não poderia ser diferente.

Hoje temos chocolates brasileiros de alta qualidade, com menos açúcar e mais sabor de cacau. Ainda existe, em pequena quantidade, chocolates mais doces e com menos cacau,  que continuam com força no mercado . Só que os chocolates belgas, francês e suíços tem muito mais tradição e tecnologia.

Somos um país de grande importância no setor, produzimos cacau! Vejo um movimento de pequenos empresários começando a melhorar cada vez mais a qualidade do nosso chocolate nacional. O publico ainda esta começando a se acostumar com um chocolate um pouco mais amargo e mais caro.

Planos para o futuro que possa compartilhar com o Essência? 

Expandir cada vez mais a marca CFC – Caio Corrêa Pâtissier através de aulas, lojas e experiências com o melhor da confeitaria.

Caio – obrigada pela entrevista! Quem quiser acompanhar seu trabalho pelas redes sociais, onde pode encontra-lo?

Facebook: CFC Pâtissier
Instagram: @cfccaiocorrea
Site: www.cfcpatissier.com.br
Loja: Sweetshop – Rua Alagoas 852 – Higienópolis – São Paulo.