Por trás de um punhado de timidez e de uma fumegante xícara de chá esconde-se uma mulher que respira aventura. Depois de sair de casa aos 18 anos, a dentista Elke Noda entendeu que o mundo é o melhor lugar para se viver, e não é preciso enraizar-se em um único endereço ou profissão.

Do consultório de dentista à sua pequena oficina em um cômodo de seu apartamento, onde cria belíssimas colheres em madeira, Elke divide-se entre os ofícios que ama enquanto sonha com suas viagens.

Hoje suas peças podem ser encomendadas ou compradas diretamente em seu site, mas ela vai além e também divide seu conhecimento em oficinas de colher. Com vocês a plural Elke Noda, no É coisa nossa!

Quem é a Elke Noda?

Nasci e cresci em São Paulo, saí de casa aos 18 anos para estudar no interior e nunca mais voltei para casa. Retornei à São Paulo depois de 17 anos. Sou dentista por formação e artesã por opção. Gosto de estar ao ar livre, praticar esporte (apesar de estar sedentária!), amo viajar e comer.

Quando você decidiu começar a trabalhar com madeira? De onde surgiu essa paixão?

Fiz um desses cursos de marcenaria de auto construção, onde vc faz e executa um projeto. Na época eu fazia uma pós na GV, tinha acabado de voltar para SP, morava de favor com minha irmã… Foi uma época conturbada e um dia vi uma foto de um amigo da pós mexendo com madeira. Ele me passou o contato da escola e eu me inscrevi no curso seguinte. Resolvi fazer uma estante e pensei num projeto onde eu pudesse aprender o máximo de coisas. Tinha encaixe, gaveta, porta… Não perdia uma aula, ia nas aulas extras e cortei a tábua baleia (que vendo hoje) num momento de relax, enquanto esperava  alguma coisa secar. Dali nunca mais parei. Tive a sorte de ter sido “adotada” por uma “marcenaria de verdade”, cheia de máquinas grandes, CNC, numa estrutura super bacana. Ia todas as sextas, religiosamente. Fiquei um ano fazendo um SUP, e no intervalo do processo todo comecei a fazer tábuas para mim, para amigos, amigos dos amigos.E a esculpir colheres…

    

E quando que o hobby se tornou um negócio lucrativo?

Na verdade eu ainda não consigo acreditar que virou um negócio lucrativo. Fui convidada para fazer um primeiro bazar na escola da minha sobrinha. Na época eu a  buscava toda semana e a diretora conhecia um pouco do que eu fazia. Aceitei meio que no susto sem saber o que eu teria que fazer. Bateu aquele arrependimento, porque eu sou mega tímida, não gosto de feiras, bazares, muita gente… Mas acabei fazendo. Tive que produzir para o bazar. Eu tinha uma ou outra tábua em casa sem usar.

As fotos desse dia são horríveis, eu pareço o Corcunda de Notredame querendo me esconder debaixo da mesa. Mas eu tive um feedback bem legal e prometi para mim mesma que não faria mais. Aí tive outro convite, para uma feira na Vila Madalena. O meu consultório estava às moscas, fui encorajada a arriscar. Fui e voltei super animada, decidida a me dedicar e investir um pouco de tempo e dinheiro. Ainda estou no processo de profissionalização. Tem muito o que melhorar. Aos poucos vou montando uma oficina em casa. Faço tudo praticamente sozinha, não tenho nenhum estagiário para culpar meus erros HAHAHA. Ainda clinico como dentista e não penso em parar. Tenho trabalhado de domingo a domingo, mas não reclamo. Estou cansada, mas estou bem feliz. Acho que quando o Studio engrenar eu vou conseguir diminuir mais as horas no mocho e quem sabe voltar a ter uma vida mais normal. Ou não!

O que inspira seu trabalho?

O simples. O natural.

Como funciona seu processo criativo? De onde vem as ideias para os pratos de bolos, os formatos das colheres, as tábuas e os produtos que você desenvolve?

É tudo super intuitivo. Claro que tenho boas referencias e fontes de inspiração. Amo o design escandinavo e japonês. Sou péssima com desenho e projetos, já saio fazendo, o que eu sei que é um erro. Já tentei controlar a ansiedade, colocar as coisas no papel, desenhar, medir… mas não funciono assim. Pego a madeira, a ferramenta e faço. Muitas vezes sai um lixo, mas tenho acertado mais que errado.

De todas as peças que você já desenvolveu qual a sua preferida e por que?

O Stand Up Paddle, sem dúvidas! Não pelo resultado, mas pela consequência. Eu levei um ano inteiro para deixar ele com cara de prancha, não finalizei e muito provavelmente ele vai ficar onde está, na parede, para sempre. Acho que jamais farei outro. Porém, trabalhando nele foi que o E|N realmente nasceu. Entre um processo e outro eu aproveitava os restos de madeira para esculpir colher, fui atrás de madeiras, aprendi sobre elas e comecei a querer criar coisas para mim que eu não achava no mercado brasileiro.

Qual sua maior inspiração?

O design japonês e escandinavo, clean e minimalista.
Hoje além de esculpir com carinho as peças que são vendidas na sua loja on line você também resolveu ensinar sua arte.

Como funcionam suas aulas?

As aulas são super práticas. Não vou ensinar sobre madeira, afiação, ferramentas… Vou ensinar um dos processos para que qualquer pessoa, ainda que com duas mãos esquerdas, saia com uma colher.

Agora responda rapidinho, com a primeira frase ou palavra que surgir na sua mente!

Uma lembrança: minha mãe

Um sabor: chocolate

Um doce favorito: chocolate

Um sonho: ver o E|N num espaço maior, com espaço para um micro café e voltar a explorar o mundo.

A Elke é: uma sonhadora nata.