Eles defendem fervorosamente a valorização do mel de terroir, cuidam de suas abelhas com a cautela de deixa-las felizes, e desejam que com todo o carinho e esforço que depositam na sua empresa, a MBee, o brasileiro finalmente coloque o mel em seu devido lugar: na mesa, para acompanhar seu café da manhã, pratos salgados e sobremesas cheias de delicadeza.

Márcia e Eugenio são o coração e o cérebro por trás da MBee, uma empresa nova no mercado e inovadora, que não só traz aos consumidores meles de qualidade com selo gourmet (que define muito bem toda a preocupação minuciosa com o produto) como permite que qualquer um possa ter a experiência de mergulhar no mundo dos meles das nossas abelhas nativas, tão pouco exploradas, e também na delicadeza de um mel tratado com óleos essenciais.

O objetivo principal da MBee vai além: eles lutam pela divulgação do mel afim de que o Brasil possa produzi-lo em maior quantidade para atender uma população carente de informação e de um produto justo – e correto – disponível no mercado.

Após uma tarde conversando com os dois, sai deslumbrada  com a riqueza de informações compartilhadas e com o amor que esses dois apicultores, empresários e apaixonados falaram sobre suas abelhas, seus sonhos, sobre os meles produzidos com tanto cuidado e dedicação, e sobre o complicado mercado brasileiro.

Já me adianto e convido você a entrar no site da MBee e se aventurar nos sabores encantadores dos meles das abelhas Jataí – meu preferido, Borá – uma abelha amazônica que faz um mel complexo com sabores explosivos! – a uruçu boca de renda e seu mel delicadíssimo e o pungente mel de Mandaçaia, uma das melhores opções para os confeiteiros.  

No mais deixo a palavra com a Márcia e o Eugenio, e essa linda aula que eles cederam carinhosamente ao Essência. Boa leitura!

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Eugenio, Marcia, de onde surgiu a ideia da MBee?

Márcia: Meu sogro, fazendeiro próximo à nossa fazenda e criador de abelhas para consumo próprio, em um jantar em nossa fazenda durante um final de semana, me ouviu reclamando da enorme quantidade de pedras que possuímos e dos problemas que elas trazem para a atividade agrícola. Na semana seguinte mandou para nossa casa em São Paulo duas caixas de abelha modelo Langstroth com o seguinte recado: “coloquem estas caixas em cima das pedras e vejam o resultado”. A partir deste momento e após nossa primeira produção, o mel tomou conta de nossos corações e nasceu a MBee.

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O slogan principal da marca é “produzido por abelhas felizes”. O que seriam abelhas felizes?

Márcia: Colmeias são ninhos de abelhas, verdadeiras maternidades. Para a criação das “abelhinhas”, as caixas precisam ter temperatura constante e as abelhas conseguem isto batendo asas de maneira intensa. Como as pedras absorvem calor durante o dia e mantêm-se aquecidas durante a noite, as abelhas precisam de menos trabalho.

Também temos o conceito de respeito às nossas colmeias, mantermos as caixas fixas, sem busca de floradas evitando stress e perda de abelhas durante os deslocamentos.

Por qual razão o mel da MBee é classificado como gourmet? O que o diferencia de outros meles?

Eugenio: A palavra gourmet tem origem francesa e pertence ao universo da haute cuisine, evocando um ideal cultural associado às artes culinárias. Nomeia-se gourmet um produto de alta qualidade, reservado a paladares mais avançados e a experiências gastronômicas elaboradas.

Outras características podem ser lembradas: produção limitada, design exclusivo e arrojado, identidade única do ponto de vista sensorial.

A qualidade inerente ao produto não se limita ao seu paladar, sabor ou aroma, podendo distinguir-se também pelos cuidados na sua produção, pela originalidade na embalagem, pela sua idade, pela sua especialidade. Mas nosso grande diferencial é explorarmos nosso terroir, propício à meles de alta qualidade, definido pela Serra da Mantiqueira, com caixas em região de altitude elevada e próximas às matas nativas.

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Existe um pensamento errado sobre o mel – de que mel bom é apenas aquele definido apenas por floradas. Hoje, com a MBee vocês lutam pelo conceito de mel de terroir, expressando a singularidade da região em que é produzido. Qual a principal diferença entre um mel de florada para um mel de terroir?

Eugenio: No conceito usual de mel de florada, as caixas são constantemente deslocadas à “procura” de floradas especificas, sem o pensamento de que, igual ao mundo dos vinhos, dos queijos e de outros produtos naturais, devemos ir em busca da valorização e expressão do terroir.

Não concordamos com este conceito e defendemos ferozmente que a qualidade é definida pelas condições locais e deve ser valorizada por isto. Temos neste imenso Brasil uma quantidade enorme de terroirs que precisam ser identificados, explorados e divulgados. Entendo que a reportagem recente do Caderno Paladar feita em nossa fazenda – “Esqueça o mel genérico em que a única informação disponível é uma florada predominante. Mel para valer tem terroir – reflete o ambiente em que foi produzido” reflete exatamente nosso trabalho.

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Somos um país de consumo ínfimo e produtividade baixa de mel. O que falta para melhorarmos esse cenário?

Eugenio: O consumo de mel do brasileiro é cerca de 20 vezes menor do que o do alemão. Muitas são as causas para isto, começando por aspectos culturais e sociais. Temos no Brasil o conceito de que mel é um produto que se compra na estrada, que deve ser usado quando se está gripado e que tem apenas propriedades medicinais.

Não exploramos os aspectos gastronômico dele e usamos muito pouco em nossa culinária e em nossas receitas. Existe um potencial gigantesco para ser explorado e o mel pode ser usado em todos os passos de uma refeição, na entrada, na salada, no prato principal, na sobremesa e para adoçar o chá no final. Tivemos um evento conjunto com o tradicional restaurante Vinheria Percussi: “Primavera e Miele”, em que 5 tipos diferentes de meles foram usados no menu degustação bolado pela chef Silvia Percussi.

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Hoje temos basicamente duas categorias de abelhas – a Apis Mellifera e as abelhas nativas, que produzem meles completamente distintos. Qual é a diferença mais significativa entre essas duas “variedades”?

Eugenio: As abelhas Apis Mellifera não são originarias do Brasil. A primeira leva de abelhas europeias vieram com a chegada da corte portuguesa no Brasil, e as africanas na década de 50. Basicamente temos hoje no Brasil uma mistura das abelhas africanas e europeias, e estas são as principais produtoras dos meles no Brasil e no mundo em geral.

As abelhas nativas, ou indígenas ou sem ferrão, sempre estiveram presentes no Brasil e já faziam parte da alimentação e medicina indígena. Por falta de conhecimento e cultura, não exploramos este campo rico e maravilhoso que são os meles produzidos por elas. Temos centenas de espécies de abelhas nativas e muitas delas produzem meles que são verdadeiras jóias.

Com a participação de universidades e homens corajosos que se dispões a estuda-las este quadro começa a mudar. Infelizmente ainda não temos nenhum tipo de apoio oficial e por incrível que pareça, não existe legislação para a exploração deste produto.

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Os meles de abelhas nativas, apesar do nome, são escassos, além de serem muito mais delicados em relação ao mel produzido pela Apis Mellifera. Mesmo assim vocês acham possível a produção comercial para alcançar todos os tipos de consumidores?

Eugenio: Os meles nativos, por não poderem (ainda) serem produzidos em modelos de alto rendimento como os das abelhas Apis Melíferas e por serem muito pouco explorados, são pouco produzidos e ainda muito caros.

Temos convicção de que com o conhecimento do público, aumento do consumo e divulgação do produto, a produção crescerá exponencialmente, novos manejos serão criados, a quantidade disponível no mercado crescerá muito e os preços cairão. Importante vermos que muitos chefs de cozinha, como Ivan Ralston, Bel Coelho e Rodrigo Oliveira estão usando estes produtos e tem uma importância fundamental na divulgação destes produtos.

Hoje, na MBee, vocês estão vendendo em edição limitadíssima um mel de flor de café. Por que dizer que a edição é limitada e como vocês resolveram definir esse mel com o nome de flor de café?

Eugenio: Achamos uma caixa antiga no meio de um cafezal de nossa região. Por ser antiga e estar cercada de café, ela possuir características que não conseguimos reproduzir, sendo um produto único, igual uma safra especial de um vinho de um bom produtor. Ou seja, dificilmente conseguiremos reproduzir novamente e por isto chamamos de Edição Limitada. Mas novos produtos chegarão no mercado no próximo mês!

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Outro mel que possuem é o mel gourmet e o mel gourmet in natura. Qual a característica desse mel e por que o produto in natura é tão mais viscoso?

Eugenio: O mel gourmet é o mel convencional, aquecido e filtrado após a extração. Já o mel In Natura é nosso mel, de nossos melhores lotes, envazado exatamente como é retirado da caixa, sem aquecimento e sem filtragem. Por isto ele tem a característica cristalizada e pode possuir pequenas proporções de cera e pólen do favo.

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Vocês possuem um produto extremamente inovador no mercado MUNDIAL, que é o mel com óleos essenciais. Demandou muito estudo e pesquisa para produzir meles de notas tão delicadas e aromáticas. Vocês poderiam nos explicar um pouco melhor sobre as características do produto e qual o melhor uso para eles?

Márcia: Meu sonho era expressar em nossos produtos, além de nosso terroir, alguns dos aromas de nossa fazenda. Em parceria com a Lazslo, uma das mais importantes fabricantes de óleos essenciais, conseguimos desenvolver produtos maravilhos, mantendo perfeito equilíbrio entre o mel os aromas e sabores adicionados.

Eles são especialmente indicados para culinária, harmonizações e gastronomia. Podem ser utilizados para o término de uma carne ou um peixe, como cobertura de sorvete, para adoçar iogurte, granola, coalhada. Ficam fantásticos adoçando determinados tipos de chás e podem ser usados na harmonização de queijos. Enfim, sevem para uma infinidade de ocasiões e temos descoberto a cada dia novas aplicações.

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Para finalizar e desmistificar o mel – aquela “verdade popular” de que mel não pode cristalizar senão está “batizado” é mentira. Mel bom cristaliza, correto? Por que e como devemos trabalhar com o mel para que ele perca esses cristais?

Eugenio: A cristalização dos meles depende basicamente de duas variáveis: a florada e a temperatura ambiente. Alguns pólens (como o do eucalipto como exemplo) produzem meles que vão cristalizar mais rapidamente. Da mesma forma, com a queda da temperatura, os cristais de glicose aumentarão a cristalização.

Mas de forma geral podemos dizer que se o seu mel cristalizou, parabéns, você possui mel verdadeiro e de qualidade e pode ser usado como geleia, para adoçar seu iogurte, como harmonização de queijos e muitas outras maravilhas que só os cristais conseguem proporcionar. Mas se quiser descristalizar e retornar para a forma original, basta colocá-lo em banho maria, tomando apenas o cuidado de que a temperatura não passe dos 45 graus para que o produto não perca propriedades medicinais.

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Eugenio e Marcia, obrigada pela atenção e pelo carinho com o qual receberam o Essência. Desejo muito sucesso e prosperidade na caminhada! Quem quiser entrar em contato com vocês ou comprar os produtos, quais os contatos, redes sociais, etc?

Nós é quem agradecemos a oportunidade em divulgarmos nosso trabalho e nossa missão de trazer o mel para a mesa dos brasileiros como um produto nobre e com uso culinário infindável.

Além de estarmos em muitos pontos por todo Brasil, nossos produtos são comercializados em nosso site www.mbee.com.br e pelo telefone (11) 3647-9211; entregamos em todo Brasil.

Em nosso facebook: /mbeemelgourmet e instagram: @mbeemelgourmet divulgamos diariamente dicas de uso do mel, com receitas simples e deliciosas. Vale a pena conferir!

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entrevista: Essência Studio

fotos: MBee / divulgação

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