Ele defende uma confeitaria brasileira com unhas e dentes, seja pelo uso dos ingredientes brasileiros quanto pela união dos profissionais do setor. Finalista do World Chocolate Masters 2007 e 2014, Diego Lozano tem traçado, desde seus 13 anos, uma carreira de sucesso através de muito trabalho e dedicação.

Hoje comanda a Escola de Confeitaria Diego Lozano e a Revista Açúcar, e concedeu ao Essência uma entrevista cheia de paixão, sem esconder sua obsessão inspiradora pela confeitaria.

Com vocês, com açúcar e muito afeto: Diego Lozano!

_IGP8041 A

Diego, como começou sua vida na confeitaria?

Comecei aos 13 anos de idade, auxiliando minha mãe em casa. Na época, recém divorciada, não tinha tempo para cozinhar para mim e meu irmão e me ensinou a fazer o básico.

Após algum tempo, fui fazer um bolo “peteleco”, receita da minha avó e no momento do preparo troquei o açúcar pelo sal. Apesar do bolo ter ficado intragável, me apaixonei de imediato pelo mundo da confeitaria. Dali em diante fiz alguns cursos no Senai e fui me profissionalizando sozinho, através da prática e muita leitura (muita mesmo).

E porque decidiu seguir o caminho do chocolate, especificamente das esculturas?

Na verdade, tenho paixão pela confeitaria como um todo e acredito que domino-a muito bem. O chocolate é um produto extremamente versátil, o qual me permite criar desde simples trufas até as mais elaboradas esculturas em chocolate. Independente da preparação, o chocolate é uma paixão mundial.

Aqui no Brasil não temos uma “cultura de confeitaria” que valorize as esculturas de açúcar ou chocolate. Na verdade, é um grande defeito, já que não temos profissionais aptos para concorrerem em grandes campeonatos. Concorda?

Acredito que ainda não temos uma confeitaria genuinamente Brasileira. O que vivemos hoje é um resquício do que foi deixado por nossos colonizadores, mesclado à velocidade da informação através das redes sociais.

Temos bons confeiteiros no Brasil, que estão começando uma pequena revolução no setor e tenho fé que dentro de alguns anos assumiremos um papel importante perante a confeitaria mundial.

Você defende uma confeitaria com maior uso de ingredientes brasileiros. Você acha que o paladar brasileiro está pronto para isso? Por mais que sejam ingredientes nossos, são pouco explorados e nem sempre agradam ou são facilmente encontrados.

Na verdade eu acho que nenhum paladar está pronto para os produtos genuinamente Brasileiros. O Brasileiro não conhece 90% dos produtos nacionais e muitas vezes tem medo do novo, optando sempre pelo que é seguro ao seu paladar (e bol$o).

Os estrangeiros tem extrema curiosidade em nossos produtos, porém, devida a pequena produtividade e todas as dificuldades de importação, acabam não os utilizando no dia a dia.

Você acha que só usar ingredientes brasileiros em uma confeitaria com base estritamente europeia define uma confeitaria brasileira?

Jamais! Como disse anteriormente, estamos criando uma confeitaria Brasileira.

Eu mesmo utilizo muito as bases europeias para as minhas criações e sempre que posso, as mesclo com ingredientes Brasileiros. Quebro a cabeça quase que diariamente, para criar produtos “genuinamente” Brasileiros. Não é fácil!

Independente disso, acredito que a confeitaria Brasileira começa com a conscientização e união dos nossos profissionais, perante nossa profissão.

Enquanto cada um remar para um lado e achar que confeitaria Brasileira se resume a utilização de ingredientes Brasileiros, continuaremos na mesma, ou seja, colonizados.

O que falta para termos uma confeitaria brasileira verdadeira, original e que faça o mundo olhar para o Brasil com um pouco mais de atenção?

U-N-I-Ã-O!

Ressalto que enquanto cada um remar para um lado, nada acontecerá.

A confeitaria Brasileira precisa de profissionais dispostos a fazerem melhorias pelo país e não para si próprios.

Quando escrevo “Por uma confeitaria Brasileira”, me refiro a isso e não somente a valorização dos nossos produtos.

_IGP6959

Na sua opinião a falta de companheirismo, trocas de experiências entre confeiteiros – coisas que geralmente vimos ocorrer um pouco mais em outros países – atrapalha o avanço da nossa confeitaria?

Demasiadamente!

A gastronomia é uma área de egos inflados por natureza. A confeitaria tem me surpreendido e extrapolado isso. O que o profissional precisa entender é que há espaço suficiente para todos no mercado e “ser melhor que outro profissional” é tão relativo quanto eu gostar mais de bolo de fubá do que você gostar de quindim.

Hoje você comanda uma escola de confeitaria, além da revista Açúcar – única dedicada à confeitaria no mercado. De onde surgiu o desejo de abrir a escola e de produzir uma revista?

UNIR os profissionais, FORMAR novos talentos e dar OPORTUNIDADE para todos.

A escola surgiu mais rápido do que eu imaginava e confesso que demorei exatamente um ano para me dar conta do que é ter uma escola. Uma coisa eu confesso, não é fácil.

Com relação à revista, foi um projeto com intuito de levar informação ao profissional confeiteiro. Temos excelentes revistas gastronômicas no mercado, porém, que não dão o devido valor a nossa área.

Com toda a sua experiência – em concursos nacionais e internacionais, com a escola, a revista, agora lecionando até na Rússia!!! – como você avalia a nossa confeitaria?

Com relação a confeitaria, acredito que estamos no caminho certo. Com relação ao profissional confeiteiro, ainda temos muito que evoluir.

Qual a sua maior paixão dentro da confeitaria?

Toda a sensibilidade artística e meticulosidade cirúrgica para se criar um doce.

O que e quem te inspira para criar, desenvolver sua assinatura dentro da confeitaria?

Sendo sincero, tudo ao meu redor.

Hoje tenho uma equipe dedicada somente a criação de novos produtos na escola. Utilizamos desde Monet a Niemeyer como referência e não é brincadeira.

E como se dá seu processo criativo? Quando aquela luzinha brilhante e mágica acende no topo da sua cabeça e te faz ir correndo para a cozinha?

Pode parecer coisa de louco (sei que é), mas minhas melhores criações vêm em noites insones. Costumo dormir 4 horas por dia e nos dias que durmo menos, são os mais incríveis. (para os doces, não para mim..rs!).

Você agora está de volta às telinhas com o programa O Confeiteiro no Chef TV. Qual a proposta do programa?

A proposta é desenvolver receitas simples para a dona de casa ou amador, com o toque de um “Chef” (odeio ser chamado de Chef).

Agora responda com uma palavra ou frase. A primeira que surgir na sua cabeça! (Não vale roubar hein! 😉 )

Um sabor: Cupuaçu
Uma lembrança: Bolo peteleco
Minha maior vitória foi: Não chorar quando minha escultura quebrou na final do WCM, em Paris.
Um objetivo não realizado (ainda): Abrir minha confeitaria
Uma frustração: Não sei (sério)
O Diego é: REAL
A confeitaria brasileira é: Vida

Diego, obrigada pela entrevista, pela atenção. Desejo muito mais sucesso, prosperidade, e que realmente você alcance todos os seus objetivos – pois a confeitaria brasileira só tem a ganhar com isso!
Quem quiser te encontrar pelas redes sociais, saber mais sobre sua escola, sobre a revista, quais os contatos?

Facebook: /chefdiegolozano  Instagram: @chefdiegolozano
Cursos: cursos@escoladeconfeitaria.com.br
(11) 2924-9666
www.escoladeconfeitaria.com.br
www.revistaacucar.com.br

entrevista: Essência Studio

fotos: Diego Lozano / divulgação