É muito fácil identificar um profissional realizado, o maior exemplo que posso dar é a Juliana Motter e a leveza de suas respostas na entrevista que concedeu ao Essência para o Com açúcar, com afeto.

Com os pés no chão a dona da Maria Brigadeiro dá uma aula de como ter um negócio de sucesso, e a fórmula, que pode parecer segredo para muitos, vem do coração: amor genuíno.

As raízes de sua infância continuam movendo essa doceira que mais do que vender brigadeiros, presenteia seus clientes com seu doce predileto, e não é à toa que ela está aqui, com açúcar, com afeto…

Com vocês, Juliana Motter, a verdadeira e única Maria Brigadeiro.

maria brigadeiro por caroline bittencourt 0098

Juliana, você descobriu o brigadeiro através das panelas da sua avó e daí em diante não parou mais. Largou a profissão de jornalista e decidiu adoçar a vida das pessoas com seus brigadeiros. Quais foram as grandes dificuldades que você passou para concretizar seu sonho?

Quando decidi encerrar meu ciclo de 10 anos em jornalismo para “fazer brigadeiro para fora”, tive que lidar com o descrédito de todos à minha volta. Brigadeiro ainda era considerado um doce popular, de festa de criança, e ninguém acreditava que ele pudesse vir a ter qualquer relevância gastronômica. Apesar de toda a desconfiança, acreditei na minha intuição, segui adiante e montei um modelo de negócio que não existia.

Você abriu um novo mercado que antes nunca havia passado pela cabeça dos empreendedores brasileiros. Foi copiada, invejada e mesmo assim seguiu forte nos seus conceitos e ao invés de expandir seus negócios preferiu focar em uma única loja. O que você pensa sobre tudo isso e por que não espalhar Maria Brigadeiro pelo Brasil afora?

Fui muito assediada para expandir o negócio, mas todas as simulações de crescimento resultavam, invariavelmente, na industrialização do processo. Entendi, nesses oito anos de Maria Brigadeiro,  que a essência do meu ofício é permanecer artesanal e que não mudei de profissão para ser empresária, mas para ser doceira. E como doceira entendo que não posso, por uma motivação  financeira, banalizar o doce que mais respeito.

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Em algum momento a avalanche de novas brigaderias e cópias não desanimou você a continuar? Em algum momento você já pensou em desistir do seu sonho?

A concorrência foi o maior reconhecimento de que o brigadeiro tinha a importância que eu sempre atribui a ele.

Os brigadeiros sempre foram considerados um doce infantil para ser comido nas festinhas e nada mais. Você elevou o padrão e o transformou em um objeto de desejo, especialmente quando passou a apresenta-lo como uma opção de presente cheio de delicadeza. Onde você busca inspiração para seus produtos?

Acho que não é a gente quem começa um negócio ou é o negócio que começa na gente. Nunca planejei abrir um ateliê especializado em brigadeiro, tudo aconteceu naturalmente. Aos 6 anos de idade fiz o primeiro brigadeiro da minha vida, com a ajuda experiente da minha avó Ignês, que era doceira. Mais do que a receita, aprendi com ela o que viria a ser mais tarde o princípio do brigadeiro gourmet: o respeito pelo doce. Naquela perfumada cozinha de interior, o brigadeiro era feito com leite condensado artesanal, manteiga caseira e raspas de puro chocolate no lugar do granulado artificial. O doce saía da panela pouco antes do parabéns e não um dia antes da festa, como sempre acontecia na minha casa. Meu passatempo preferido passou a ser fazer brigadeiro: Comecei, aos 10, um caderno de receitas só de brigadeiro: com chocolate branco, recheado de uva, coberto com caramelo… Foi ali que tive o insight de criar novas versões do doce, adicionando outros ingredientes na massa. Aos 15 anos, meu caderno já contava com mais de 30 receitas inéditas de brigadeiro e anotações suficientes para um livro – que publiquei em 2008.

Meu presente para as pessoas sempre foi o meu doce favorito. As embalagens que crio retratam a minha experiência afetiva com o doce. Um exemplo disso é a marmita de metal, que foi a primeira embalagem da Maria Brigadeiro. Minha avó morava numa chácara no interior e esse foi um elemento muito presente na minha infância.

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Para que as pessoas possam esclarecer de uma vez por todas as questões do verdadeiro brigadeiro gourmet, nada como a criadora! Você pode nos explicar a real essência de um brigadeiro com status gourmet?

Entendo que o brigadeiro gourmet é um brigadeiro artesanal,  feito com ingredientes de primeira qualidade e finalizado o mais próximo possível da hora do consumo, para manter seu sabor e textura originais.

Qual o segredo de um negócio de sucesso?

Acredito que é partir de um produto/serviço que a gente goste e com o qual a gente tenha uma ligação genuína.

Responda com a primeira palavra ou frase que surgir na sua cabeça!

Um sabor: chocolate

Uma alegria: poder fazer o que eu mais gosto

Um pensamento:  positivo, sempre

A essência da Maria Brigadeiro: é ser artesanal

A Juliana Motter é: aquariana, com ascendente em peixes e lua em áries

Juliana, muito obrigada pela sua participação e quem quiser provar seus brigadeiros ou te encontrar pelas redes sociais, onde procurar? Deixe seus contatos!

Muito obrigada pela oportunidade. Meus contatos:

site: www.mariabrigadeiro.com.br

instagram: @mariabrigadeirooficial

facebook: /maria.brigadeiro

loja: Maria Brigadeiro

Rua Capote Valente, 68, Pinheiros

f. (11) 30853687 • (11) 30873687

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Confira a palestra que a Juliana deu para o TED x Campos sobre a sua paixão transformada em trabalho e inspire-se!!!!

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fotos: Maria Brigadeiro / divulgação

entrevista: Essência Studio