O caju, pseudo fruto do cajueiro (o fruto na verdade é a castanha de caju) é nativo do Brasil (sendo o 7° maior produtor, ficando atrás de Vietnã e Índia) e foi levado pelos portugueses para as regiões tropicais da Ásia, África (na segunda metade do século XVI) e Índia entre 1563 e 1578. Mas muito antes da chegada dos portugueses o caju era alimento básico das populações autóctones, como os tremembé que fermentavam o suco do caju (mocororó) para ser bebido na cerimônia da dança folclórica Torém.

Na língua tupi caju significa noz que se produz, e era utilizado como marco de um ano pelos indígenas, contado através da floração e safra do cajueiro.

Rico em aminoácidos, ferro e vitamina C (muito mais que na laranja!) com o caju prepara-se sucos, compotas (levadas às melhores mesas da Europa por Maurício de Nassau que chegou a baixar uma resolução que fixava a multa de cem florins por cajueiro derrubado, “visto que o seu fruto é um importante sustento dos índios”), mel (que possui propriedades tônicas, já que contem anacardina), doces, rapadura, caju passa e a famosa cajuada. Com o fruto (a castanha) que fermenta rapidamente, produz-se a aguardente cauim (tradicional dos povos indígenas) e a deliciosa e não alcoólica cajuína (comum nos estados do Piauí, Ceará, Alagoas e Pernambuco).

A castanha (fruto do cajueiro) contém fibras, proteínas, minerais, carboidratos, fósforo, sódio, vitaminas e cálcio e por isso acredita-se ser uma boa fonte de combate às doenças cardíacas. Possui uma casca dupla que contém a toxina Urushiol, que deve ser removida, e um potente ácido anacárdico que combate com eficácia bactérias que provocam caries dentárias (dá pra acreditar?).

O líquido reminiscente da castanha de caju é utilizado em resinas, vernizes, detergentes industriais, inseticidas, fungicidas e até biodisel. Além do fruto, a casca da árvore é também utilizada como adstringente e tônico e a resina do tronco, conhecida como goma do cajueiro, substituinte da goma arábica, é utilizada na indústria do papel e farmacêutica. Da seiva produz-se tinta e além de tudo isso, as raízes possuem propriedades purgativas.

Primeira ilustração do Cajueiro, de André Thevet, 1558 (fonte Wikipédia)

O cajueiro, também é conhecido pelos nomes derivados da língua tupi (acayu): acaju, acajaíba, acajuíba, caju-comum, cajueiro-comum, cajuil, caju-manso, cajuzeiro e ocaju. Em Moçambique é ainda conhecido como mecaju e mepoto. Em inglês cashew (derivado da palavra portuguesa de pronúncia similar, caju, que por sua vez provém da palavra indígena acaju), na Venezuela denominado merey, e em outros países da América Latina é chamado marañón (provavelmente devido ao nome da região onde foi visto pela primeira vez, no estado do Maranhão).

O maior cajueiro do mundo, também conhecido como cajueiro de Pirangi, encontra-se na praia de Pirangi do Norte no município de Parnamirim, no Rio Grande do Norte.

Se como dizem do porco, que se utiliza até o focinho, quem dirá do cajueiro!

Referências

Cajucultura. Cultura do cajureiro.Disponível em <http://www.cajucultura.com/>. Acesso em 10 de janeiro, 2015.

Instituto Caju Nordeste. Disponível em: < http://www.cajunordeste.org.br/>. Acesso em 10 de janeiro de 2015.

Embrapa. Caju. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-geral/-/busca/caju>. Acesso em 12 de janeiro, 2015.

Revista Agroindústria Tropical . Livro retrata a primeira imagem do cajueiro. Julho/Setembro 2008, n° 127.

Wikipedia. Cajueiro. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Cajueiro>. Acesso em 14 de janeiro, 2015.