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O jatobá (jataí ou pão-de-ló-de-mico*), encontrado do Piauí ao norte do Paraná, é um fruto comestível, sob a forma de baga, conhecido botanicamente como uma leguminosa. Típico do Cerrado, é rico em minerais, como fósforo e cálcio (três vezes maior que o cálcio presente no leite de vaca). A seiva, retirada do tronco e ramos, pode ser utilizada na forma de suco, agindo como um tônico potente para fortalecimento imunológico. A resina, com propriedades curativas, é utilizada na medicina popular no auxílio do tratamento de bronquite, asmas e laringite.

Apesar de tantas propriedades o fruto de casca marrom-avermelhada esconde uma polpa farinácea e amarelada (ou esverdeada), que envolve até 10 sementes. Doce, agradável ao paladar, mas pouco apetitosa e de odor característico, produz uma nutritiva farinha que pode ser utilizada no preparo de bolos, pudins, suspiros, mingaus e pães.

Para sua extração, seleciona-se os frutos maduros e sem broca na casca, A seguir, basta quebrar a casca com um martelo, retirar a polpa manualmente e passa-la por peneira fina, obtendo-se a farinha, que misturada com mel transforma-se em uma pasta bastante adocicada.

É um alimento tradicional do povo indígena que consome a farinha de jatobá em substituição à farinha de mandioca, utilizando-a para o preparo de um tipo de beiju, onde a massa, misturada com água e torrada em prato de barro é servida com peixe assado.

A fama do jatobá não está em seu fruto, mas no porte elegante (até 40 metros) e largo de seu tronco (que alcança quase 1 metro de diâmetro), de madeira dura e resistente, utilizada na construção civil e carpintaria. A árvore tem grande longevidade, se não fosse a atividade predatória que a coloca em risco de extinção, por conta disso é comum o dito popular “velho como um jatobazeiro”, em referência àquele que se mantém vivo e lúcido, apesar da idade.

Era uma fruta considerada mística pelos índios, que a cultuavam e comiam o fruto antes de fazer rodas de meditação, pois trazia equilíbrio de anseios, desejos, sentimentos e pensamentos. Pesquisas científicas comprovaram que o jatobá traz benefícios importantes, como a organização mental, mas pouco sabe-se sobre a quantidade a ser consumida para sentir os efeitos do fruto.

Hoje a jaboteira – ou jatobazeiro – é patrimônio sagrado no Brasil, e apesar do seu escasso uso na cozinha brasileira, talvez por conta de seu odor característico, precisa ser difundida e utilizada pelos nossos cozinheiros, para que ela não se perca pelo uso descriminado de sua madeira, que permanece sem proteção.

 

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Referências

ENZI, Henri. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. Instituto Plantarum. Nova Odessa, São Paulo, 2002.

SLOW FOOD BRASIL. Jatobá. Disponível em: <http://www.slowfoodbrasil.com/arca-do-gosto/produtos-do-brasil/441-jatoba>. Acesso em 03 de junho de 2015.

SHANLEY, Patricia. SCHULZE, Mark. Jatobá. Disponível em: <http://www.cifor.org/publications/pdf_files/books/bshanley1001/109_118.pdf>. Acesso em 22 de junho 2015.

TASSARA, Helena. Frutas Brasil Frutas. Empresa das Artes, 2008.