As ervas aromáticas remontam muitos séculos. Na época das embarcações elas foram sendo levadas de um continente a outro assim como várias espécies botânicas. Temos um erro muito grande ao acreditar que tudo o que vemos num país é originário de lá, e esse é um dos fatores no qual podemos afirmar que 90% das espécies que consumimos hoje são híbridas e não mais nativas, afinal foram muitas trocas de espécies pelo mundo.

O Brasil mesmo, que possui um clima tropical e uma cartela enorme de frutas, têm pelo menos 20 delas que não são originárias daqui, como a banana (Sudeste asiático), a laranja (Ásia), a maçã (Ásia) e o caqui (também da Ásia).

No início foram criados grandes jardins medicinais com o que se encontrava e se utilizavam das espécies com a intenção de ajudar toda a população. Posteriormente foram surgindo os jardins Botânicos, com o intuito de preservar espécies nativas e também “descobertas” preciosas e exóticas.

Temos que nos atentar para alguns cuidados ao usar as ervas como medicinal e em quantidades indevidas na alimentação, pois algumas ervas podem não fazer bem à pessoas com determinados problemas. Por exemplo: o alecrim em excesso não é ideal ser consumido por pessoas com pressão alta. A camomila também pode gerar processo alérgico a quem tem uma pré-disposição de alergia ao pólen. Por isso, mesmo com o advento dos remédios químicos ainda precisamos ter cautela quando falamos de remédios de ervas. Ainda têm muitos que se utilizam da medicina caseira e não se dão conta de alguns distúrbios que podem ser provocados no organismo por dosagem errada. Não é à toa que em 500 AC já existiam espécies de plantas usadas como remédios.

Muitas espécies tiveram também sua exploração indevida e correm o risco de extinção, como é o caso do Sândalo (valioso pelas suas propriedades calmantes e antibacterianas) e o palmito Jussara (nativo da nossa Mata Atlântica e saborosíssimo), que hoje está com sério risco de sumir!

A natureza nos oferece muita riqueza, mas precisamos saber explorá-las com cautela e pensar sim na preservação mundial das espécies, pois cada planta é um tesouro que nos foi dado e são responsáveis pelo nosso tão estimado oxigênio.

Deborah Gaiotto

Publicitária de formação e ganhadora do prêmio “Mulher de Negócios” na categoria Produtora Rural. Trabalha na Fazenda Maria com produção de ervas e flores frescas e desenvolve seu projeto Deborah Na Fazenda que estimula o consumo de flores comestíveis e o conhecimento sobre a produção orgânica.