Não sei você mas eu não sou capaz de medir o valor de uma memória.

Este ano tive a maravilhosa oportunidade de lecionar uma matéria sobre PANC (as Plantas Alimentícias Não Convencionais, lembram?) para uma turma da Faculdade da Terceira Idade da Universidade do Vale do Paraíba, em São José dos Campos-SP.

Para trabalhar o conceito das PANC, um dos exercícios propostos era escrever uma redação que trouxesse uma memória afetiva relacionada ao alimento. Ou seja, um momento da vida que se passasse na hora das reuniões ou alguma festividade, mas que envolvesse comida!

Qual a surpresa quando me deparei com centenas de histórias encantadoras e cheias de tesouros culinários? Sem falar nas lágrimas que vinham em cada palavra, em cada relato…

Conheço pessoas que dariam tudo para sentir novamente o cheiro do bolo da avó, ou da pipoca naquela sessão especial de cinema, eu mesma tenho meus momentos! Mas trabalhando com aquela turma “da cabecinha branca” é que eu pude viajar no passado.

O apito da chaleira, o calor do fogão à lenha, o ralador de acento, a fruta colhida do pé, a carne da lata, as famílias em mutirão na produção de paçoca – homens no pilão, mulheres no fogão. Coisas da nossa história, tradições de diversas origens descritas em cuidadosas e sentimentais redações, remontando a história do nosso povo ao redor da mesa.

Pura emoção!

Entre convencionais ou não, vegetais, minerais e animais reunidos em cuidadosas proporções para cada preparo, o ingrediente principal sempre foi o amor.

Beatriz Carvalho

Beatriz Carvalho é geógrafa, especialista em Educação Ambiental e Planejamento Urbano e Regional. Fundadora do Projeto Mato no Prato, trabalha atualmente com a difusão das PANCs, promovendo a segurança alimentar, a etnobotânica e a preservação ambiental.